Entenda como árabes podem suprir lacuna da Rússia em fertilizantes – O Presente Rural

2022-05-28 05:53:52 By : Ms. Christine Yu

Estudo da Câmara de Comércio Árabe Brasileira mostra quais países árabes poderiam vender ao Brasil tipos de adubos que os russos exportam. Instituição apresentou análise ao governo para ajudar a resolver crise do setor.

Egito, Líbano, Marrocos, Tunísia, Jordânia, Omã, Emirados Árabes e Arábia Saudita são países árabes que poderiam exportar para o Brasil alguns dos fertilizantes que o país compra da Rússia. O dado faz parte do estudo “Oportunidades para importações brasileiras dos Países Árabes no setor de fertilizantes”, que foi elaborado pelo Departamento de Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe Brasileira e apresentado para a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) do Brasil, Tereza Cristina, na última semana.

Segundo o levantamento, nitrato de amônio poderia ser fornecido pelo Egito, misturas de nitrato de amônio com carbonato de cálcio ou com matérias inorgânicas pelo Líbano, sulfato de amônio por Egito e Marrocos, fertilizantes contendo nitrato e fosfato por Tunísia e Jordânia, fertilizantes contendo fósforo e potássio por Omã e Emirados, misturas de ureia com nitrato de amônio em solução aquosa ou amoniacal por Omã, Arábia Saudita e Emirados, sais duplos e misturas de nitratos de cálcio e amônio por Jordânia e Emirados, e nitrato de sódio por Emirados. Todos esses produtos o Brasil compra dos russos, mas não dos árabes, que são, no entanto, fornecedores na área.

Brasil importa da Rússia ao ano US$ 377 milhões em nitrato de amônio, US$ 16,9 milhões em misturas de nitrato de amônio e US$ 16,8 milhões em sulfato de amônio – Foto: Cláudio Neves/Portos do Paraná

Segundo o levantamento, o Brasil importa da Rússia ao ano US$ 377 milhões em nitrato de amônio, US$ 16,9 milhões em misturas de nitrato de amônio e US$ 16,8 milhões em sulfato de amônio. Em nitrato, quase a totalidade vem do mercado russo, mas em misturas de nitrato de amônio, o Brasil importa também de outros fornecedores, somando US$ 122 milhões ao ano, e em sulfato de amônio compra do exterior um total de US$ 634 milhões.

O estudo foi elaborado pela Câmara Árabe para ajudar o Brasil a fazer frente a uma lacuna no fornecimento de fertilizantes em decorrência da guerra entre a Rússia e Ucrânia. Os russos são fonte importante de adubos para o Brasil, que, por sua vez, é peça-chave no abastecimento mundial de alimentos, inclusive para as nações árabes. O Brasil é o quarto maior exportador mundial no agronegócio, atrás de Estados Unidos, Holanda e Alemanha.

“O Brasil é primordial na garantia da segurança alimentar dos países árabes, sendo o segundo principal fornecedor no agronegócio para os árabes, atrás apenas da Índia. Percebe-se a complementariedade nas relações comerciais do Brasil com essas nações neste setor, levando em consideração que 40% do total importado pelo Brasil dos árabes corresponde a fertilizantes, um produto crucial para o agronegócio brasileiro”, diz texto de abertura da análise, assinado pelo presidente da Câmara Árabe, Osmar Chohfi, e pelo secretário-geral, Tamer Mansour.

Substituição do fornecimento russo

O diagnóstico apresentado pela Câmara Árabe vai além da substituição do fornecimento russo e sugere que há potencial para importações maiores de fertilizantes pelos países árabes ao Brasil no geral. O Marrocos, que exportou US$ 896 milhões em adubos para o mercado brasileiro em 2020, poderia passar a um valor de US$ 2,48 bilhões, o Omã dos US$ 65 milhões para US$ 1 bilhão, o Egito de US$ 90,7 milhões para US$ 1 bilhão, a Arábia Saudita de US$ 308,5 milhões para US$ 938,7 milhões, e a Jordânia de US$29,9 milhões a US$ 878,8 milhões.

Os grandes espaços para aumento das exportações de fertilizantes árabes ao Brasil estão em cloreto de potássio, ureia, driidogeno-ortofosfato de amônio, fertilizantes contendo nitrogênio, fósforo e potássio, superfosfatos contendo pentóxido de difosforo P205, pentóxido que não contenha difosforo superfosfatos, hidrogênio-ortofosfato de diamônio, outros fertilizantes minerais ou químicos nitrogenados, outros fertilizantes minerais ou químicos, outros fertilizantes minerais ou químicos potássicos, entre outros. Os nomes citados são os que constam nas NCMs, nomenclatura com as quais os produtos são definidos no Mercosul para comércio exterior.

O levantamento também aponta tipos de fertilizantes que poderiam passar a ser comprados pelo Brasil dos países árabes, mas dos quais ainda não há importações da região. Alguns coincidem com os que o País pode substituir o fornecimento russo. A Câmara Árabe diz que o mercado brasileiro pode passar a comprar dos árabes sulfato de amônio, nitrato de amônio, misturas de nitrato de amônio com carbonato de cálcio ou matérias inorgânicas, fertilizantes em tabletes ou embalagens com peso, sais duplos e misturas de nitrato de cálcio e amônio, entre outros.

Marrocos é produtor de fosfatos – Foto: OCP

Os países árabes, se levados em conta juntos, são o maior fornecedor mundial de fertilizantes, seguidos por Rússia,  China, Canadá e Estados Unidos. As exportações de adubos da região para o mundo cresceram 67% de 2016 para 2020, ficando em US$ 10,4 bilhões, segundo dados do International Trade Centre citados no estudo.

Marrocos, Catar, Arábia Saudita, Egito e Omã respondem por 80% do total exportado em fertilizantes pelos países árabes. A região fornece ao mundo principalmente ureia, hidrogeno-ortofosfato de diamônio, diidrogeno-ortofosfato de amônio, adubos minerais e químicos potássicos e adubos minerais ou químicos contendo nitrogênio e fósforo.

Brasil, gigante a ser abastecido

Com base em dados de mercado, o estudo mostra o Brasil como quarto maior consumidor mundial de fertilizantes, atrás da China, Índia e Estados Unidos. Em 2021, o Brasil importou US$ 15,16 bilhões em fertilizantes. O consumo anual do País é de 30 milhões de toneladas para uma produção local de apenas sete milhões de toneladas. Isso significa que Brasil importa ao redor de 80% do total que consome nas suas lavouras.

O Brasil é o principal destino das exportações de fertilizantes dos países árabes e os árabes fornecem 26% de tudo o que o Brasil importa na área. Entre 2017 e 2021, as importações brasileiras de fertilizantes do mundo avançaram 107%, enquanto as compras do produto de países árabes cresceram mais, 135%, de US$ 1,79 bilhão para US$ 4,2 bilhões. Juntos, os árabes são o maior fornecedor do Brasil na área. Mas se for levado em conta cada país individualmente, a Rússia é a principal fornecedora.

Os russos exportaram US$ 3,53 bilhões em fertilizantes ao Brasil em 2021. O país fornece ao Brasil principalmente cloreto de potássio, didrogeno-ortofosfato de amônio, ureia, nitrato de amônia e fertilizantes contendo nitrogênio, fósforo e potássio. O maior volume, US$ 1,3 bilhão, é em cloreto de potássio.

O estudo foi enviado pela Câmara Árabe para o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Ministério da Agricultura e embaixadas de países árabes no Brasil, e posteriormente, na última quinta-feira (10), apresentado presencialmente em reunião de representantes da Câmara Árabe e das embaixadas com a ministra Tereza Cristina. O tema foi levado em conta no Plano Nacional de Fertilizantes, lançado nesta sexta-feira (11), e terá seguimento.

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Participaram das provas 23 touros jovens da raça provenientes de oito selecionadores dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

A Embrapa Pecuária Sul e a Associação Brasileira de Criadores de Charolês (ABCC) divulgaram na noite desta quinta-feira (26) os vencedores da 5ª edição da Prova de Avaliação a Campo (PAC) e da Prova de Eficiência Alimentar (PEA) da raça. As provas de desempenho animal foram realizadas nos campos experimentais da Embrapa, em Bagé (RS), e buscam identificar animais geneticamente superiores em diferentes características dentro de um mesmo ambiente e manejo. A divulgação dos resultados foi feita por meio de um dia de campo virtual, transmitido pelos canais da Embrapa e da ABCC.

Participaram das provas 23 touros jovens da raça provenientes de oito selecionadores dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Na PAC, o vencedor, “VLD 500 Delegado No Doubt FIV” (EC No Doubt 2022 P x Lutece Labor M) e o segundo colocado, seu irmão completo “VLD 501 Detetive No Doubt FIV”, são oriundos da propriedade de Valdir Magro, a Cabanha VLD, de Concórdia (SC), ambos classificados como “elite” na prova. Na terceira colocação ficou o animal “Namuncurá 511 Patron #” (LT Bluegrass 4017P x Neve Labor 2M), classificado como “superior”, proveniente da seleção de Rosalina e Joaquin Villegas da Estância Namuncurá de Itacurubi (RS).

Já na PEA, o vencedor foi o reprodutor “SáBrito Absoluto 4620 IM” (Impecable x SáBrito Bolonhesa Hindú 3699 BR), oriundo da Estância Sá Brito de Alegrete (RS), classificado como “elite”. Da seleção de Cesar Adams Cezar, proprietário da Cabanha Cézar de Vacaria (RS), vieram “Cezar Vista 2029 Quarterback” (LT Vista 5319 PLD x Cezar Paladin Haia), classificado como “elite” e “Cezar Lunch 2003 Quantum” (Harms Lunch Money 5530 x Cezar 980 Firestill Jordana), classificado como “superior”, segundo e terceiro colocados, respectivamente.

Para o coordenador das provas, o analista da Embrapa Pecuária Sul, Roberto Collares, um dos destaques dessa edição foi a padronização dos touros participantes. “Anualmente estamos presenciando uma evolução nos animais que participam nas provas, especialmente nas questões relacionadas a conformação e padronização”. Além disso, Collares ressaltou que o Charolês é uma raça que se destaca pelo ganho de peso, o que se confirmou nas provas, além da facilidade do manejo dos animais.

De acordo com o presidente da ABCC, Cesar Adams Cezar, a realização das provas de desempenho são extremamente importantes para o melhoramento da raça como um todo, uma vez que são identificadas características genéticas de uma forma objetiva e imparcial. “A parceria com a Embrapa possibilita testarmos os animais sem a interferência de avaliações subjetivas e de ambiente. Por isso é possível identificar de forma mais concreta os animais que realmente são mais eficientes em diferentes características, dados que os produtores procuram para melhorar seus rebanhos”, disse.

Já o produtor Leandro Magro, da propriedade que levou as duas primeiras colocações na PAC, participar das provas possibilita reconhecimento e ganho de novos mercados para o criatório. “Com o destaque nas provas, os animais também são valorizados e elevados para outros patamares, principalmente para quem trabalha com comercialização de genética”.

A metodologia da PAC testa touros manejados em um mesmo ambiente com o objetivo de avaliar características como ganho diário de peso, área de olho de lombo, espessura de gordura subcutânea, entre outros. Na avaliação 80% são de dados objetivos e 20% características subjetivas como conformação, padrão racial e pelame, essas últimas aferidas por técnicos da associação.

Já o objetivo na PEA é identificar animais mais eficientes na conversão alimentar, ou seja, aqueles que precisam de menos alimentação para obter um maior ganho de peso. Uma novidade nesse ano foi a avaliação da emissão de metanos pelos touros que participaram das provas. Durante uma semana foram coletados dados sobre a emissão do gás, um dos responsáveis pelo aquecimento global, informações que estão sendo avaliadas e que serão divulgadas posteriormente.

A Semana Nacional da Carne Suína chega a sua 10ª edição ao lado de 27 bandeiras de varejo, que irão impulsionar as vendas da proteína, impactando 145 milhões de consumidores em todo o país.

Representando produtores, associações, frigoríficos e empresas do setor em todo o Brasil, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), lança no dia primeiro de junho, a décima edição da Semana Nacional da Carne Suína (SNCS), uma iniciativa consagrada no agronegócio brasileiro por estabelecer uma parceria de educação e engajamento, que leva as maiores e melhores redes de varejo do país a promoverem a carne suína, impactando consumidores e impulsionando as vendas e o consumo per capita, que já cresceu em 32% desde que a cadeia suinícola decidiu criar a estratégia para se comunicar com os consumidores brasileiros. Apenas no ano passado, a SNCS foi responsável por gerar 13 milhões de reais em vendas de carne suína no varejo nacional.

Este ano, ao lado dos 9 maiores grupos de varejo do país, a SNCS estará nas gôndolas de 27 bandeiras, que irão alcançar 145 milhões de consumidores em todas as regiões brasileiras com o tema “Festival de Oferta? Suíno na Certa”. O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que a ABCS utilizou o gancho da economia e preço baixo para se comunicar com os consumidores que passam por um momento onde é necessário priorizar a compra de proteínas com maior custo-benefício, e também para auxiliar a cadeia produtiva que precisa escoar o excedente de produção para equilibrar o mercado interno. “A nossa estratégia é democrática, assim como a nossa proteína. Consumidores, varejistas e a cadeia de suínos irão se beneficiar da SNCS, que está sendo antecipada para o período de junho justamente para atender a essa necessidade. Ampliamos o nosso alcance, levamos a SNCS para novas redes de varejo, treinamos os times de colaboradores e com o auxílio de todos os agentes envolvidos, estamos preparados para alavancar as vendas da proteína suína de norte a sul do Brasil”, conclui.

O lançamento acontecerá no dia 1 de junho, às 16:30 na Casa Bisutti em São Paulo, e contará com a presença do Ministro da Agricultura, Marcos Montes, de lideranças da suinocultura nacional e também dos diretores comerciais do Pão de Açúcar, Mercado Extra, Compre Bem, Oba Hortifruti, Carrefour, Hortifruti, Natural da Terra, Big, Big Bompreço, Super Bompreço, Nacional, Dia Supermercados, Prezunic, Super Nosso, Apoio Mineiro e da Companhia Sulamericana de Distribuição. O evento também será transmitido ao vivo pelo YouTube e poderá ser acessado neste link: sncs2022.link/lancamento. 

É preciso criar políticas públicas que sejam assertivas para reduzir a inflação no país e diminuir os gastos dos brasileiros com itens essenciais.

O preço dos combustíveis tem sido um dos maiores vilões do brasileiro há um bom tempo. Os aumentos sucessivos registrados nos postos tornou a ação de encher o tanque praticamente uma ostentação. Pior que isso, a inflação dos combustíveis tem um efeito cascata, que desemboca nos alimentos, roupas, equipamentos, em tudo o que a sociedade consome, degradando a renda do brasileiro como fungo no pão velho.

Não resta dúvidas que os combustíveis são essenciais para viver em sociedade, assim como a energia elétrica, o gás natural, comunicações e transporte coletivo. São coisas básicas que fazem parte da natureza da vida em sociedade. Sem esses bens, praticamente nada do que se faz hoje existiria.

Mas, para a legislação brasileira, até agora, esses bens são considerados supérfluos. Ou seja: dispensáveis, desnecessários, entre outros sinônimos. No entanto, uma luz.

A Câmara dos Deputados aprovou, e agora segue para o Senado, o projeto que torna esses itens essenciais e necessários, impedindo que Estados cobrem taxa superior à alíquota geral do ICMS, que varia entre 17% e 18%. Ou seja, teórica e tecnicamente, caso aprovado e sancionado, o brasileiro vai começar a pagar menos impostos nesses itens essenciais.

No Paraná, para se ter uma ideia, o ICMS sobre os combustíveis é de 29%. Cairia pelo menos em 11%, o que reduziria substancialmente o preço pago na bomba do posto. Além disso, o projeto pode reduzir os gastos na hora de cozinhar, tomar um banho quente ou até mesmo fazer uma viagem de avião.

O projeto é uma iniciativa do governo federal e seus aliados para tentar reduzir a inflação no Brasil, além, é claro, de colaborar com as famílias brasileiras, reduzindo o peso dessas contas básicas no salário do mês.

Muitos vão dizer que o projeto é uma manobra para garantir a reeleição do presidente Jair Bolsonaro, outros vão dizer que o problema do preço dos combustíveis é a política de preços da Petrobras, que segue o mercado internacional, ao invés de cobrar pelo que gasta para extrair mais algum lucro. E essas pessoas até podem ter razão.

Mas o fato é que reduzir o preço dos combustíveis e da energia elétrica são uma necessidade extrema e urgente para o Brasil. Esses dois itens têm elevado a inflação vertiginosamente nos últimos meses. É preciso criar políticas públicas que sejam assertivas para reduzir a inflação no país e diminuir os gastos dos brasileiros com itens essenciais, como alimentos, combustíveis e energia elétrica.

O cenário está longe do ideal, mas é importante comemorar cada avanço que o Brasil dá para tentar sair desse atoleiro. É muito complexo sair de uma situação de inflação, de preços nas alturas, mas parado não dá pra ficar.

A sociedade brasileira tem que comemorar cada avanço (ainda não foi sancionado), mas especialmente cobrar ainda mais atitudes em prol da sociedade. É preciso agir, com pulso firme e coerência, para equilibrar precisamente a arrecadação dos governos e a renda da população brasileira.

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